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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Uma coisa é ser cristão, outra é ser mariano??

A visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima tem vindo a atrair multidões por onde tem passado no início desta sua peregrinação de dois anos pelo Algarve.

O facto da Virgem Maria atrair muita gente parece não ser novidade. A questão que surgirá no final desta passagem pelas comunidades algarvias será a de saber qual a consequência que este acontecimento trouxe para essa imensa massa humana que se sente atraída por Nossa Senhora e que apenas nesta ocasião se aproxima da comunidade de cristãos, a mesma com a qual não parecem identificar-se para além deste acontecimento. Uma das respostas que parece começar a ganhar forma é a de que, se para mais não servir, esta terceira visita da imagem de Nossa Senhora de Fátima ao Algarve poderá ter tido a graça de aproximar pessoas que embora fisicamente próximas estavam afectivamente muito afastadas ou, por outro lado, levar algumas pessoas, que habitualmente não o fazem, a entrar na igreja paroquial da sua área de residência para rezar em conjunto com a comunidade local.
Isto mesmo tem sido constatado pelos párocos de cujas comunidades têm acolhido primeiramente a visita da imagem da Virgem peregrina. O padre Joel Teixeira, pároco de Raposeira, Sagres e Vila do Bispo garante que “o balanço é positivo” e que “Nossa Senhora continua a cativar as pessoas”.
Na avaliação que faz desta passagem da imagem da Virgem de Fátima pelas suas paróquias, o sacerdote destaca as procissões de velas às sextas-feiras como “momentos tocantes”, “de grande intensidade e intimidade entre as pessoas e Nossa Senhora”.
O prior relata o testemunho de alguém que considerava um “milagre” de Nossa Senhora “ter conseguido juntar os vizinhos para decorar a sua rua” e “ter convivido mais com as outras pessoas durante estes 15 dias do que ao longo dos 30 anos em que ali viveu”. “E isto é muito positivo”, salienta o padre Joel Teixeira.
A consagração a Nossa Senhora dos pescadores em Sagres, homens que habitualmente parecem arredados do universo espiritual, foi outro dos momentos destacados pelo prior, testemunhando que os homens do mar “foram verdadeiramente tocados e viveram aquele momento com uma intensidade única”, a que se juntou toda a comunidade.
Também a consagração dos bombeiros em Vila do Bispo foi outros dos realces do sacerdote, considerando-o como “muito importante para todo o concelho”. “O comandante confessou-me que não esperava tantos bombeiros naquele dia e isso demonstra a importância de Nossa Senhora para as pessoas”, refere.
A consagração das famílias, realizada em todas as paróquias, foi igualmente referenciado pelo pároco, pois “apesar de parecer que os homens não querem nada com a Igreja, pelo menos nesse dia apareceram, rezaram e celebraram”.
Apesar desta análise positiva, o padre Joel Teixeira sente que para muitas pessoas “uma coisa é ser cristão, outra coisa é ser mariano”. “Com Nossa Senhora conseguimos atrair muita gente, pessoas que nunca vêm à igreja e que não se identificam com o ser cristão ou com a Igreja, mas que se identificam com Maria”, constata o sacerdote, acrescentando, no entanto, que isso não é motivo para desilusões ou preocupações. “É momento para que pensemos, e reflectindo sobre este facto, tomemos decisões, revendo a nossa forma de viver estes momentos. São momentos muito intensos e muito importantes, mas que, no futuro, não sei que consequências terão”, observa, realçando a característica de primeiro anúncio destas iniciativas.
“Durante estas semanas, através do terço e da celebração da Eucaristia, tentámos demonstrar que Maria aponta para o seu Filho e não o contrário, mas parece-me que, com estes meios, continua a ser uma luta perdida”, considerou, acrescentando que se nota “uma grande diferença entre as missas com e sem a presença da imagem de Nossa Senhora”. “Há que ter consciência disto, não para desistir ou desanimar, mas para tentar perceber qual o problema para o resolver. A passagem da imagem pode ser muito importante, mas é preciso saber o que fazer com ela. Juntar as pessoas apenas para rezar o terço é importante e positivo, mas não chega”, conclui.


 


Fonte: Folha do Domingo
publicado por joel às 11:16

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